PANAPLÉIA

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Bem-vindo(a) ao Laboratório de Autoria de Panapléia! À esquerda das postagens, estão meus textos divididos em categorias e temas. À direita, indicações de blogs e as mídias sociais. No rodapé, mimos felinos e os créditos do blog. Boa leitura!

A LUTA DESPENTEIA

APROVEITANDO AS OPORTUNIDADES


"Chorar ajuda por um tempo, mas depois é preciso parar de chorar e tomar uma decisão." 
As Crônicas de Nárnia

Minha epifania aconteceu há alguns anos no meio de uma conversa com a amiga Aíla Sampaio, escritora e professora conceituada da Unifor, que também ministrava aulas na periferia de Fortaleza. Diante da minha indagação de outras oportunidades que teria, ouvi uma frase simples e definitiva:
– É minha contribuição social, Bela. Eles também merecem!
Um belo dia, a gente perde o estímulo de ministrar aulas para os riquinhos que tem mesada maior que 200h de um professor. Um belo dia, por mais atrativa que sejam as estruturas oferecidas, a gente quer lançar as redes em alto mar. Um belo dia, cansamos dos ovos de Páscoa, dos bolos de aniversário, dos presentes de Dia dos Professores e das cestas natalinas. Esse belo dia chegou para mim em 2006 – depois de anos de Rede Geo, Colégio Paraíso, Colégio Batista, Colégio Pequeno Príncipe, entre outros. Lá fui eu, professora de cursinhos pré-vestibulares e produtora cultural conceituada (modéstia tem parte com o cão!), me aventurar numa escola de zona rural.
Seis anos depois eu acreditava que tudo ia bem. Infelizmente e felizmente, 2012 foi o ano do fim de muitas teorias – nem todas de conspiração. Tive a oportunidade de conhecer a secretária de Educação num evento no CCBNB Cariri. Paula Izabela no palco e Sônia Luz na plateia. Dias depois ambas fomos convidadas para o mesmo almoço: ela, secretária; eu, produtora cultural. A conversa foi agradabilíssima até que surgiu a informação da “necessidade” do prefeito Santana (PT) fechar escolas da zona rural. Dona Sônia explicou os argumentos da prefeitura e complementou com um...
– Na zona rural ainda temos professores despreparados, desmotivados e desatualizados.
A mesa parou. A mesa inteira esperou que eu rebatesse. Calei, canceriana e intuitiva. Sabia que guardar a resposta inadequada para o momento certo seria mais inteligente. Após a derrota de Santana nas urnas,  reencontrei dona Sônia na Bienal de Fortaleza. Ela: passeando com os netos. Eu: de crachá institucional, eleita delegada do Livro, Leitura e Literatura no Ceará pelo MinC. Novamente a conversa foi agradabilíssima. Novamente achei desnecessário explicar minhas outras funções. Novamente eu soube esperar.
Com a posse de Raimundo Macedo em janeiro de 2013 imaginamos (erroneamente) que o pesadelo do fechamento das escolas rurais tivesse passado. Para nossa surpresa a maré foi subindo, subindo, subindo, e provocando hidrofobia.
Paula Izabela, vamos falar com o vereador Cláudio Luz? – era o professor Erlânio, o mais politicamente informado da escola.
– Claro que não! Ninguém aqui vai pedir nada a vereador.
Erlânio insistiu março – fizemos um abaixo-assinado na comunidade e nos reunimos com a secretária de Educação, Célia Viana. Insistiu abril:
– Já disse que não quero nada de vereador, Erlânio!
Insistiu até o finalzinho de maio:
Cláudio Luz está contra a redução salarial dos professores. Traz uma cópia do abaixo-assinado aqui pra Câmara – Erlânio tentava vencer minhas resistências.
– Tô pintando a casa pro meu aniversário. Aqui tá uma zorra! Mas levo agora. Me espera aí!
Manifestantes fora e dentro da Câmara, e Erlânio não atendia o celular. Respirei fundo e mergulhei multidão adentro. Uma voz defendia os professores no meio de um debate confuso. (A curiosidade matou o gato por seguir o conselho da dona. By Paula Izabela) Me embrenhei naquela selva de cartazes e rimas pobres até conseguir visualizar a bancada rica.
Quem seria o cara que estava defendendo a gente? – observei os discursos que não batiam mais com o anterior. Ops! Um rosto novo na bancada. Quem é ele? Bingo! O vereador voltou a falar e era a mesma voz de antes...
Alguém me arrastou pela alça da mochila. Felizmente não era um GM, era um PG – professor de Geografia. Não sei se Erlânio me tirou dali para eu não quebrarem meu dedinho do pé pela terceira vez ou para que minha gastrite não fosse temperada com spray de pimenta. Esperamos a sessão acabar na escada.
– Vamos falar com ele e entregar o abaixo-assinado?
– Sem chance! Vá só! Deixe o capacete comigo.
Esperei Erlânio voltar torcendo para que ele não se contagiasse por nenhum verme da corrupção. Aliás: por que aceitamos o cumprimento dos políticos se não sabemos se suas mãos foram higienizadas depois de limpar os cofres públicos?
Voltei – só para devolver o capacete. Tudo bem! Eu confesso: minha curiosidade é muito maior do que minha paciência. O vereador que conversava com Erlânio me encarou e eu desviei o olhar distraidamente. Não me aproximei – vai que eu saia dali cleptomaníaca. Começariam a sumir os adesivos dos cadernos dos alunos, as folhas de ofício da sala dos professores, as canetas da direção, os copos da cantina, o papel higiênico... Credo! Mantive distância!
Algumas horas depois um número que não estava na minha agenda me liga – meu celular estava no abaixo-assinado. Não atendi! Minha mãe me ensinou a não falar com estranhos! Dizer ALÔ é tão perigoso quanto abrir a porta de casa.
Na manhã seguinte Erlânio me acorda:
– Por que foi que tu não atendeu o vereador ontem?
– Não me meta nisso! Por que ele não resolve tudo com você?
– Porque vocês dois têm a mesma operadora.
Mesmo no meu mau humor matinal contive minha pergunta: Vai dizer que político brasileiro paga a fatura de celular? Aposto como eles têm algum acordo sujo com a Anatel...
Cláudio me ligou, mas eu não quis marcar nada sem combinar com você antes. Ele quer uma reunião com todos os professores da escola. Liga pra ele e combina. Sua casa é mais central. Pode ser aí?
Putz! Isso estava saindo do controle. Eu? Ligar para um vereador? Euzinha? Do meu celular? Comprado em 6 parcelas! Pago honestamente! Depois receber esse ser asqueroso em meu lar-doce-lar? Se Maria Vanúbia não é bagunça, imagine eu!
Situações drásticas mudam minha marcha para blogueira investigativa. E para que serve um perfil vivo no falecido Orkut? Cláudio Luz no Orkut: ok! No Twitter: ok! No Facebook: ok! Portal da Transparência: ok! Depois de horas de Google: ok! Pente fino virtual encerrado. Relação familiar detectada: filho de Sônia Luz! Oh-oh!
Depois de um curso de Letras com Pós em Literatura a gente acha que conhece Psicanálise. Depois de quase duas décadas em sala de aula, traçamos diagnósticos nonsenses. Minha conclusão: uma mãe com o perfil de dona Sônia não relaxaria num investimento para a vida toda. Check-list! Despreparado ele não era. Arrogante ele não era. Covarde ele não era. Esperto ele era. Então o caminho é por aqui...
Contato virtual: ok! Contato telefônico: ok! Reunião em minha casa: ok! Contato telefônico. Mais contato virtual. Ofício data o fechamento da escola para 29 de junho de 2013. Contato telefônico. Mais contato telefônico. Secretaria de Educação manda recolher as chaves da escola. Contato telefônico. Desespero modo on! Contato telefônico!


O “OPORTUNISTA”


“Sabemos o que acontece quando uma pessoa tem esperança de obter uma coisa desesperadamente desejada; parece bom demais para ser verdade.”
As Crônicas de Nárnia

Cláudio Luz veio num sábado à tarde a minha casa, mesmo estando “estropiado” de uma queda de moto, ouvir os professores e funcionários da E. E. F. Izaufran Moreira de Freitas. E quando todos foram embora assistir ao futebol, ele ficou o primeiro tempo na escada ouvindo minha mãe criticar Santana, o segundo tempo na calçada ouvindo-a criticar Raimundão. Lembrando que “sermão de mãe” não tem linearidade nenhuma – plantas, receitas culinárias e chás medicinais ignoravam que alguém ligava no celular insistentemente – talvez para avisar que o amigo havia perdido o bolão.
Cláudio Luz orientou nossa ação no Ministério Público e na Defensoria Pública. Foi conosco bater de porta em porta. Providenciou nosso advogado. Sem ele estaríamos, desde junho, perdidos no “labirinto do fauno”, ops!, do fórum.
Cláudio Luz se reuniu com os pais e alunos do Sítio Riachão e adjacências às 15h de um sábado, sem uma sombra, em frente à E. E. F. Izaufran Moreira de Freitas – fechada a mando da superintendente de Educação (sic!) que não permitiu que a reunião, com a presença da imprensa local, acontecesse dentro da escola.
Cláudio Luz nos enviou por e-mail todos os documentos que pedimos, respondeu todos os torpedos, retornou todas as ligações e nos recebeu na Polícia Federal para prestar orientações jurídicas.
Cláudio e esposa vieram a minha casa quase meia-noite, depois de vários compromissos, para me desejar “feliz aniversário” – por trás de um grande “oportunista”, sempre existe outra “oportunista”... Vieram “filar” o bolo, né? CL, os faces têm razão – típico do PT!
Um quarentão (sic!) que, depois de 24h de plantão na PF, pula embaixo de chuva na “micareta” dos professores? Uma professora da zona rural que tem 10 páginas de Lattes? Sônia Luz e eu precisamos “rever nossos conceitos”. Se a Globo não estivesse sendo acusada de manipular as massas, eu poderia até dizer que “ser diferente é normal!”


ESTÃO PERDENDO A OPORTUNIDADE

"Estou do lado de Aslam, mesmo que não haja Aslam.
Quero viver como um Narniano, mesmo que Nárnia não exista."
As Crônicas de Nárnia.

IVAN LEITEIRO (2.294 votos), em minha casa temos um casal de idosos e um casal de gatos que tomam leite diariamente. Vai perder a “oportunidade” de mais quatro eleitores para mantê-lo como vereador mais votado?
JOÃO BORGES (2.168 votos), ainda lembra onde moro? Fui aluna da sua esposa, fui colega de sala de sua filha, frequentei muito sua casa em minha infância, somos da mesma paróquia. Vai perder a “oportunidade” de defender as escolas e os professores?
BERTRAN ROCHA (1.817 votos), que tal uma corrida (não olímpica) do Riachão para o Taquari? Só para você ter o “oportunismo” de calcular quanto tempo as crianças de 03 anos levarão para se deslocar de um sítio a outro?
ZÉ DE AMÉLIA JÚNIOR (1.727 votos), recebemos seu “recado”... Que não iria beneficiar a comunidade porque tirou poucos votos no Sítio Riachão e adjacências. Perdendo a “oportunidade” de conquistar aqueles que não votaram em vossa senhoria?
PRETO MACEDO (1.424 votos), e sua promessa “oportunista” de comparecer a quadrilha junina do Riachão? As crianças ensaiaram até um “Me chama de Juáforró e investe em mim” para lhe receber. Tsc, tsc...
SARGENTO NIVALDO (1.173 votos), não dispense a “oportunidade” de ministrar umas aulas de “defesa pessoal” aos professores municipais. Quem sabe assim, estaremos prontos a fugir da ameaça armada dos seus familiares  na próxima vez que seu carro cruzar com nossas manifestações na Avenida Castelo Branco.
E vou parando por aqui porque preciso economizar cianureto para os próximos dias. Há quem diga que “a luta continua, companheiro!”. Eu de cá, contrario: a luta despenteia, camarada!

Sítio Riachão, junho de 2013. Foto: Tallyta Paula.

PI 1: Aceitamos desesperadamente o apoio da sociedade civil – estamos cansados de “importunar” o “oportunista” do PT.


PI 2: Não estamos disponíveis para discutir o sexo dos anjos – leve suas filosofias políticas para um terreno fértil – aqui só germinamos poesia e ironia!

| 2013 |

2 comentários:

  1. Não há o que comentar, apenas aplaudir o elicioso texto.

    Clap, clap, clap!!

    ResponderExcluir
  2. PAULA IZABELA, VC É GUERREIRA, JUNTOS UM DIA VENCEREMOS A MÁFIA DA CAMARA, QUEM SABE DO BRASIL QUANDO O BRASILEIRO CRIAR VERGONHA NA CARA, PORQUE ERRAR UMA VEZ TUDO BEM, MAS CONTINUAR É ...

    ResponderExcluir

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